Comprar casa é, para a maioria de nós, o maior passo financeiro da vida. É fácil deixarmo-nos levar pelo entusiasmo de ver anúncios, planear a decoração e imaginar o futuro num novo lar. No entanto, antes de começar a agendar visitas, há uma pergunta fundamental que precisa de resposta: afinal, quanto é que o banco me empresta?
Descobrir a sua capacidade de endividamento não tem de ser um bicho-de-sete-cabeças. Neste guia prático, vamos deixar o jargão financeiro de lado e explicar-lhe de forma simples como os bancos fazem estas contas, o que é a famosa “taxa de esforço” e o que precisa de ter na gaveta na hora de pedir a aprovação do seu crédito.
O que é a Taxa de Esforço?
Em palavras simples, a taxa de esforço é a fatia do seu orçamento mensal que é usada para pagar empréstimos.
Imagine o seu rendimento mensal líquido (o dinheiro que efetivamente cai na sua conta depois dos impostos) como uma tarte. A taxa de esforço representa a fatia dessa tarte que já está “comida” pelas suas responsabilidades financeiras (como um crédito automóvel, cartões de crédito e o futuro crédito habitação).
O “Número Mágico”
Para garantir que continua a ter uma vida confortável e que consegue pagar despesas essenciais como alimentação, água, luz e lazer, o Banco de Portugal recomenda que a sua taxa de esforço não ultrapasse os 30% a 35%.
Exemplo Prático: Se o rendimento líquido do seu agregado familiar for de 2.000€ por mês, o banco considera que o valor máximo que deverá pagar por todos os seus créditos somados (o novo crédito da casa mais qualquer outro que já tenha) deverá rondar os 600€ a 700€ mensais.
Como é que os bancos calculam a sua capacidade de endividamento?
O banco não olha apenas para o seu salário e aprova um valor às cegas. A análise de risco é feita com base numa fotografia detalhada da sua saúde financeira. Eis o que pesa na balança:
- Rendimentos Fixos: O banco valoriza a estabilidade. Salários fixos têm um peso muito maior do que comissões, bónus ou horas extra, que podem variar de mês para mês.
- Créditos Atuais: Se tem um empréstimo do carro que lhe custa 150€ por mês, esse valor é subtraído à sua capacidade mensal de assumir uma nova prestação. Quanto menos créditos tiver ativos, maior será o valor que o banco lhe empresta para a casa.
- O Teste de Stress: Como as taxas de juro (a Euribor) podem subir e descer ao longo dos anos, o banco simula um cenário pessimista. Eles calculam como ficaria a sua prestação se as taxas de juro subissem, para garantir que conseguiria continuar a pagar a casa mesmo num cenário de aperto económico.
- Idade: A sua idade dita o prazo máximo do empréstimo (que em Portugal tem vindo a ser ajustado pelo Banco de Portugal). Quanto mais curto for o prazo do empréstimo, mais alta será a prestação mensal, o que afeta diretamente o valor total que pode pedir.
Os Documentos que influenciam o valor aprovado
Para provar que tem capacidade para pagar o crédito, o banco vai pedir-lhe algumas “provas”. Ter a documentação organizada é meio caminho andado para uma aprovação rápida. Os documentos que realmente fazem a diferença são:
- Última Declaração de IRS e Nota de Liquidação: O espelho anual dos seus rendimentos e de como se relaciona com a Autoridade Tributária.
- Últimos 3 Recibos de Vencimento: A prova de que tem um rendimento mensal atual e estável.
- Declaração da Entidade Patronal: Um documento emitido pela sua empresa que comprova o seu vínculo laboral (efetivo, a termo, etc.) e a sua antiguidade. Contratos sem termo (efetivos) dão muita segurança aos bancos.
- Mapa de Responsabilidades do Banco de Portugal: Um documento gratuito que pode descarregar online no site do Banco de Portugal. Mostra todos os créditos que tem em seu nome e se tem falhas de pagamento. É o seu “boletim de saúde” financeiro.
- Extratos Bancários (últimos 3 meses): Para o banco analisar os seus hábitos de consumo e confirmar que o salário cai na conta regularmente.
O próximo passo: Como simplificar tudo isto?
Calcular a taxa de esforço ao cêntimo e saber exatamente a que banco recorrer pode ser confuso e consumir muito tempo. É aqui que entra o trabalho de um intermediário de crédito.
Como especialistas, fazemos todas estas contas por si, analisamos os seus documentos e procuramos no mercado qual o banco que lhe oferece as melhores condições e o valor de financiamento mais adequado à sua realidade. E o melhor de tudo? Em Portugal, este serviço de acompanhamento não tem qualquer custo para o cliente (somos remunerados pelos bancos).
Não deixe que as dúvidas travem o seu sonho. Fale connosco hoje mesmo e descubra exatamente qual é o seu orçamento real para a sua próxima casa!
